O que se viu no último mês no Brasil em termos de repercussão foi uma coisa que não víamos há muito, e que, no entanto, é comum em países ditos do primeiro mundo: uma cientista despontar em noticiários, programas de TV, redes sociais e se tornar um ícone nacional. Falo da cientista carioca Tatiana Sampaio, que desenvolveu junto com sua equipe um novo medicamento chamado polilaminina.
Esperança a paraplégicos
A polilaminina é feita a partir da laminina, uma proteína retirada de placentas, e que tem entre suas funções a regeneração neural em casos em que os neurônios são danificados quando ocorre uma lesão da medula espinhal, afetando a comunicação entre o cérebro e os músculos. Ela traz esperança a pacientes que sofrem acidentes e ficam paraplégicos, porque, quando aplicada a tempo, regenera a teia neural, permitindo uma recuperação completa ou parcial dos movimentos, de acordo com o caso.
Estudos clínicos
O Ministério da Saúde e a Anvisa já estabeleceram prioridade no acompanhamento de estudos de avaliação sobre a segurança e eficácia da polilaminina, dando início à primeira fase do estudo clínico com voluntários humanos. Os testes nessa fase serão feitos com pacientes em lesão aguda, até 4 dias após o trauma. Serão mais duas fases de estudo clínico até que seja possível solicitar aprovação da agência para uso na prática clínica, e assim chegar ao mercado.
Tatiana Sampaio
A bióloga Tatiana Sampaio e sua equipe representam o que há de melhor no Brasil: cientistas abnegados que se dedicam anos a fio, enfrentando todas as dificuldades, em busca de soluções científicas para melhorar a vida das pessoas, e dar ao nosso país lugar entre os desenvolvedores mundiais de conhecimento e pesquisa. É importante que ela tenha ganho as manchetes dos jornais, porque ela anuncia um Brasil novo, um Brasil que queremos.
Políticas públicas em prol da Ciência
Essa boa notícia que nos traz Tatiana Sampaio tem um revés, entretanto: a patente mundial da polilaminina não será do Brasil, isto porque a Universidade Federal do Rio de Janeiro deixou de pagar taxas internacionais obrigatórias devido a corte de verbas feito pelo Governo Federal em 2015 e 2016... Aí se vê a falta de estrutura para a Ciência no Brasil, e a falta de atenção de nossos políticos e gestores com uma coisa que pode fazer toda a diferença para o país e para a vida das pessoas. É preciso políticos comprometidos com a Ciência em nosso país. Caso contrário, dependeremos exclusivamente de heróis como Tatiana.

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