434 mortes em um único ano. Este é o número de óbitos divulgados pela Polícia Rodoviária Federal de vítimas de acidentes em rodovias federais na nossa Santa Catarina. O maior número de mortes em nove anos. Isso não é estatística fria: são pais, mães, filhos que não voltaram para casa. Santa Catarina virou palco de uma tragédia anunciada por conta do descaso de autoridades federais e falta de cobrança forte dos nossas autoridades e representações políticas.
Menos acidentes, mais mortes: algo está muito errado
Os acidentes caíram. Os feridos caíram. Mas os mortos aumentaram 4,5%. Isso aponta para um problema grave: estradas perigosas, sem manutenção, sem duplicações, sem segurança mínima. As nossas rodovias federais estão abandonadas, e isso não vem de hoje. Situação só se agrava ano a ano. Olhe a nossa volta: a BR-470! Acidentes todo dia. Não escapa um dia.
Vias onde escoa riqueza
As BRs 101, 282 e a nossa 470 concentram centenas de mortes, de acidentes graves, de gente que escapa, mas que fica com sequelas terríveis... Quem não conhece alguém que tenha sido vítima dessa situação de abandono federal? E não são rodovias quaisquer. São vias estratégicas para a economia do país, onde corre riqueza. Riqueza que vira impostos e vai, em sua maioria, para os cofres federais, sem retornar nas obras viárias que tanto precisamos.
Motociclistas entregues à própria sorte
Os números da Polícia Rodoviária mostram que quase metade dos feridos, e um terço dos mortos, são motociclistas. Se já é ruim andar de carro em rodovias federais de Santa Catarina, muito pior andar de moto. Falta de acostamentos, sinalização precária e pistas saturadas transformam cada viagem em roleta-russa. O resultado disso, está no número de mortes, e na lotação das UTIs, onde a grande maioria de acidentados que lotam os leitos são motoqueiros.
Descaso que mata
Ninguém está aqui para pedir favor para o Governo Federal. Estamos pedindo – pedindo, não, exigindo –, os investimentos que Santa Catarina precisa há décadas nas rodovias federais. Investir em rodovias não é favor, é obrigação. Cada obra adiada, cada duplicação prometida e não feita, tem nome, sobrenome e consequência: mais cruzes no acostamento e mais famílias destruídas. E a culpa está em Brasília. Está no Brasil que não olha para Santa Catarina.

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