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Sabado, 04 de Abril de 2026
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Política

Ponto de Vista Por Gerri Consoli

Orelha

Altemir de Quadros
Por Altemir de Quadros
Ponto de Vista Por Gerri Consoli
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Há dez dias atrás, na Praia Brava, em Florianópolis, quatro adolescentes, filhos de família abastadas, torturaram a pauladas um cãozinho comunitário chamado Orelha, a ponto de, quando encontrado pelos moradores e levado ao veterinário, não ter mais nada a fazer, a não ser sacrificá-lo. Um crime bárbaro de maus-tratos a animais. Uma agressão cruel e gratuita contra um cachorrinho que era estimado por toda comunidade.

Barbárie
A violência do ato desses adolescentes chocou o Brasil. E não podemos deixar que isso vire mais um caso de maus-tratos a animais – como há tantos pelo país afora –, que amanhã desaparece dos jornais e fica tudo por isso mesmo. Quantos casos nós, que somos defensores da causa animal, já denunciamos, divulgamos e pedimos providências das autoridades? É certo que muitos dos agressores foram punidos pela lei – porque maus-tratos a animais é crime! – mas as agressões se sucedem.

Comoção
A agressão covarde e sem explicação contra Orelha gerou protestos da comunidade em que ele era inserido, e indignação via rede social pelo Brasil afora. Alguém propôs erigir uma estátua do cãozinho lá na Praia Brava, o que pode até servir de ponto de partida pra alguma coisa, mas o fato é que o que vai resolver são ações efetivas de educação e conscientização, e ajustes na legislação para que em casos como este, em que os infratores são menores de idade, eles não se safem. Vão ter que pagar.

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Punição exemplar
Porque se quisermos resolver alguma coisa a partir dessa barbárie, temos que começar por punir exemplarmente aqueles que a cometeram. Sejam adolescentes, filhinhos de papai, não importa, a lei é para todos. As autoridades têm que dar resposta à indignação popular. E as pessoas tem que continuar cobrando das autoridades ações efetivas. Porque isso tem que parar. Chega de exemplos praticamente semanais de crimes contra animais!

A banalidade do mal
A filósofa alemã Hannah Arendt constituiu o conceito da “banalidade do mal”, que é, simplificando muito, a capacidade que tem pessoas comuns de cometerem atrocidades por ausência de pensamento crítico, por normalização do mal dentro de um sistema burocrático, e por incapacidade de se colocar no lugar do outro. Acho que se quisermos melhorar alguma coisa é por aí. Através de conscientização firme e constante das pessoas, a começar pelas crianças, de que respeito e cuidado pelos outros, incluindo os animais, é obrigação. E esse é um dever de todos nós, começando pela nossa casa. E das autoridades em geral, que estão aí para isso.

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