Há dez dias atrás, na Praia Brava, em Florianópolis, quatro adolescentes, filhos de família abastadas, torturaram a pauladas um cãozinho comunitário chamado Orelha, a ponto de, quando encontrado pelos moradores e levado ao veterinário, não ter mais nada a fazer, a não ser sacrificá-lo. Um crime bárbaro de maus-tratos a animais. Uma agressão cruel e gratuita contra um cachorrinho que era estimado por toda comunidade.
Barbárie
A violência do ato desses adolescentes chocou o Brasil. E não podemos deixar que isso vire mais um caso de maus-tratos a animais – como há tantos pelo país afora –, que amanhã desaparece dos jornais e fica tudo por isso mesmo. Quantos casos nós, que somos defensores da causa animal, já denunciamos, divulgamos e pedimos providências das autoridades? É certo que muitos dos agressores foram punidos pela lei – porque maus-tratos a animais é crime! – mas as agressões se sucedem.
Comoção
A agressão covarde e sem explicação contra Orelha gerou protestos da comunidade em que ele era inserido, e indignação via rede social pelo Brasil afora. Alguém propôs erigir uma estátua do cãozinho lá na Praia Brava, o que pode até servir de ponto de partida pra alguma coisa, mas o fato é que o que vai resolver são ações efetivas de educação e conscientização, e ajustes na legislação para que em casos como este, em que os infratores são menores de idade, eles não se safem. Vão ter que pagar.
Punição exemplar
Porque se quisermos resolver alguma coisa a partir dessa barbárie, temos que começar por punir exemplarmente aqueles que a cometeram. Sejam adolescentes, filhinhos de papai, não importa, a lei é para todos. As autoridades têm que dar resposta à indignação popular. E as pessoas tem que continuar cobrando das autoridades ações efetivas. Porque isso tem que parar. Chega de exemplos praticamente semanais de crimes contra animais!
A banalidade do mal
A filósofa alemã Hannah Arendt constituiu o conceito da “banalidade do mal”, que é, simplificando muito, a capacidade que tem pessoas comuns de cometerem atrocidades por ausência de pensamento crítico, por normalização do mal dentro de um sistema burocrático, e por incapacidade de se colocar no lugar do outro. Acho que se quisermos melhorar alguma coisa é por aí. Através de conscientização firme e constante das pessoas, a começar pelas crianças, de que respeito e cuidado pelos outros, incluindo os animais, é obrigação. E esse é um dever de todos nós, começando pela nossa casa. E das autoridades em geral, que estão aí para isso.

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