O município de Apiúna preserva um importante capítulo da história ferroviária catarinense com o Túnel Edmundo da Silva Pozes, uma das maiores obras de engenharia da antiga Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC).
Com 260 metros de extensão, o túnel foi construído entre os anos de 1952 e 1954, sendo inaugurado oficialmente em 13 de novembro de 1954. A estrutura é considerada a maior da EFSC e teve papel fundamental na modernização do trajeto ferroviário da região.
A EFSC teve início em 1909, com investimento de capital alemão, ligando Blumenau à então localidade de Hansa (atual Ibirama). Após a Primeira Guerra Mundial, a ferrovia passou a ser administrada pelo Governo Brasileiro, que deu continuidade à expansão da linha em direção ao Alto Vale a partir da década de 1920. Ao longo dos anos, a ferrovia chegou a atingir cerca de 184 quilômetros de extensão, conectando Itajaí a Agrolândia.
Com o crescimento da demanda, tornou-se necessária a modernização do traçado original, que apresentava condições técnicas precárias. Entre as melhorias propostas estava a criação da variante Apiúna-Subida, projetada para encurtar o percurso, eliminar passagens de nível e permitir a circulação de trens mais rápidos e pesados.
O Túnel Edmundo da Silva Pozes surgiu como solução para um dos principais desafios da ferrovia: a subida do Morro Pelado. Antes da obra, o trecho exigia grande esforço operacional, com uso de locomotivas adicionais, manobras complexas e elevado custo de manutenção.
A construção do túnel, juntamente com outras intervenções como pontilhões, cortes em rocha e retificações no traçado, trouxe mais eficiência ao sistema ferroviário, reduzindo custos e tempo de viagem.
O túnel leva o nome de Edmundo da Silva Pozes, engenheiro que participou ativamente dos estudos e fiscalização da obra até seus últimos dias de vida, sendo reconhecido pelo comprometimento e dedicação ao projeto.
Mesmo após a desativação da EFSC, em 1971 — com sua última viagem registrada em 12 de março —, ainda é possível encontrar vestígios do antigo traçado ferroviário na região de Ribeirão Carvalho, incluindo pontilhões e trechos que hoje se sobrepõem à BR-470 ou seguem paralelos a vias locais.
O local segue como ponto de interesse histórico e turístico, resgatando a memória da ferrovia e sua importância para o desenvolvimento do Vale do Itajaí.
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