Acho que não tem quem acompanha o noticiário que não tenha visto as denúncias feitas pelo Youtuber Felca sobre o que ele chamou “adultização” de crianças e adolescente, que é, na verdade, um tremendo crime contra menores perpetrado por meio das mídias sociais. Crime esse que utiliza a imagem de crianças para ganhar dinheiro. “Monetizar”, com se diz hoje nas mídias.
O fim da inocência
Funciona assim: nós que, inocentemente, postamos fotos de nossos filhos, não percebemos, mas o Youtuber comprovou em sua denúncia, que fotos de crianças são direcionadas pelos algorítmicos de mídias sociais para aparecer em buscas feitas por um público interessado em crianças pelo que há de mais terrível: a pedofilia. Então, quando postamos fotos inocentes de nossos filhos, o que as mídias sociais fazem é vender essa imagem para esses vagabundos.
Outra coisa
A denúncia de Felca, que você, leitor, pode assistir no vídeo que ele postou no Youtube, mostra também que as mídias sociais influenciam crianças a ter comportamentos que não são próprios para a idade delas, buscando sensualizar a inocência e destruir – na verdade “monetizar” –, a fase mais bela e pura de nossas vidas, que é a infância. Que passa rápido e não volta nunca mais. Esses fatos chocaram o Brasil, e não é para menos.
Acordaram
Diante disso, pipocaram no Congresso brasileiro projetos de leis, tanto da bancada da Direita, quanto da Esquerda, visando regular a legislação para que proíba a monetização de conteúdos infantis entre outros cuidados. A toque de caixa foi aprovado na Câmara dos Deputados o PL 2628/2022, projeto de lei da “Adultização”, e no Senado foi lido o requerimento para instalação de uma CPI sobre o assunto. Vamos prestar atenção em como esses assuntos irão tramitar.
Controle das mídias sociais
Alguns falam que regrar as mídias sociais é impor controle à livre expressão, mas, convenhamos, precisa ter algum controle. Porque há vários exemplos de que, se as mídias sociais, por um lado, trouxeram ganhos para a livre expressão, também trouxeram perigos enormes para quem as utiliza, principalmente crianças. O problema alertado por Felca mostra – e aí está o perigo maior –, que o controle feito pelas próprias plataformas sobre o que mostram e direcionam é vago e ineficaz. Então precisa regramento, responsabilização.
Olhos bem abertos
Mas devemos ficar atentos para que o regramento não vire censura. O assunto é sério, e precisamos de avanços de legislação diante de um mundo que muda muito rapidamente, e que traz, junto com as novas tecnologias, questões que precisam, sim, ser regulamentadas. E essa é umas das funções precípuas dos nossos legislativos. Por isso precisamos cobrar, e ficar de olhos bem abertos.

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