O prefeito de Ituporanga, Geison Kurtz (PP), anunciou na manhã desta segunda-feira (9) que o município irá assinar e encaminhar ainda hoje um decreto de calamidade pública em razão da forte queda no preço da cebola. A medida tem como objetivo enfrentar os prejuízos expressivos registrados pelos agricultores locais, mesmo em uma das safras mais produtivas da história recente.
Segundo o prefeito, o decreto será encaminhado aos governos estadual e federal, além de órgãos do Legislativo, com a finalidade de garantir respaldo legal aos produtores rurais. A iniciativa busca viabilizar medidas de apoio, como facilitação de refinanciamentos, ampliação de prazos e renegociação de dívidas ligadas à atividade agrícola.
Geison Kurtz destacou que a decisão pretende reduzir os impactos econômicos que atingem diretamente as famílias produtoras e toda a cadeia produtiva da cebola. Ele ressaltou ainda que a ação integra um movimento coletivo em defesa do setor, que enfrenta dificuldades semelhantes em outras regiões produtoras.
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Além disso, o decreto será encaminhado a instituições financeiras e cooperativas de crédito, com base na legislação vigente, para permitir a adoção de alternativas legais que auxiliem os agricultores a atravessar o período de crise. A combinação entre alta produtividade e baixa remuneração tem sido apontada como o principal fator de desequilíbrio da safra 2025/2026.
Maior produtor nacional de cebola, Ituporanga projeta uma colheita de aproximadamente 168 mil toneladas nesta safra. A área cultivada no município é de cerca de 4.900 hectares, com produtividade média estimada em 35 toneladas por hectare, índice considerado elevado para a cultura. Apesar disso, o cenário financeiro nas propriedades é de preocupação.
O principal problema, segundo representantes do setor, é a diferença entre o custo de produção e o preço pago pelo mercado. Atualmente, o quilo da cebola é comercializado entre R$ 1 e R$ 1,20, valor que não cobre sequer as despesas básicas da atividade.
Os números locais refletem o cenário estadual. Santa Catarina caminha para uma produção recorde de 597 mil toneladas, cultivadas em 19.568 hectares. Mesmo com o bom desempenho produtivo, a grande oferta mantém os preços pressionados. Na safra 2024/2025, o impacto já havia sido sentido, com o valor total da produção catarinense caindo de R$ 938 milhões para R$ 647 milhões.
Com o decreto de calamidade pública, a expectativa do município é abrir caminhos legais para amenizar os efeitos da crise e garantir fôlego aos produtores, enquanto se busca articulação com outras esferas de governo para medidas mais amplas de apoio ao setor.

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