O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, de 68 anos, passou a ser alvo de uma investigação da Polícia Federal após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração faz parte do inquérito que investiga um suposto esquema de venda de sentenças no STJ.
Natural de Timbó, Buzzi integra o STJ desde setembro de 2011. Ele está afastado das funções desde fevereiro de 2026, quando surgiram denúncias de importunação e assédio sexual apresentadas por duas mulheres.
A autorização para inclusão do ministro na investigação ocorreu após a Polícia Federal apontar ao STF que familiares de Buzzi foram mencionados em materiais obtidos durante a Operação Sisamnes, deflagrada para investigar um esquema de comercialização de decisões judiciais na Corte.
Segundo os investigadores, a nova etapa busca analisar se existem indícios concretos de envolvimento do ministro ou de seus familiares no caso. Em nota, a defesa afirmou que Marco Buzzi não possui qualquer relação com as atividades de familiares e ressaltou que o magistrado se declara impedido de atuar em processos nos quais eles participem. A defesa também informou que ele não tem conhecimento do andamento da investigação e negou qualquer irregularidade.
Marco Buzzi é mestre em Ciência Jurídica e possui especializações em Gestão e Controle do Setor Público, Direito do Consumidor e Instituições Jurídico-Políticas.
Ao longo da carreira, presidiu a Associação dos Magistrados Catarinenses no biênio 1998/1999 e foi presidente da Terceira Câmara de Direito Comercial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) antes de chegar ao STJ.
No Superior Tribunal de Justiça, assumiu a vaga deixada pelo ex-ministro Paulo Medina, aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
## Processo por assédio e importunação sexual
Além da investigação relacionada à suposta venda de sentenças, Marco Buzzi responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no STJ por acusações de importunação e assédio sexual.
As denúncias foram apresentadas por uma jovem de 18 anos, que afirma ter sido vítima de importunação sexual durante um período de férias na residência do ministro, em Balneário Camboriú, e por uma ex-servidora do gabinete, que relata episódios reiterados de assédio e importunação enquanto trabalhava na equipe do magistrado.
Desde que as acusações vieram a público, a defesa nega que o ministro tenha cometido qualquer ato ilícito.
O presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, marcou para o dia **6 de agosto**, às 9h, o julgamento do Processo Administrativo Disciplinar.
A sessão ocorrerá sob sigilo para preservar a intimidade das partes e o conteúdo das provas reunidas durante a investigação.
Na esfera administrativa, os ministros da Corte Especial poderão aplicar sanções que vão desde advertências até a aposentadoria compulsória ou, em situações previstas em lei, a perda do cargo. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente à aposentadoria compulsória.
Paralelamente, o caso também é investigado na esfera criminal em inquérito que tramita no STF sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, em razão do foro por prerrogativa de função do magistrado.

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